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terça-feira, 8 de novembro de 2011

Lucas,

Tens um nome muito bonito menino. Eu ando sozinha há muito tempo, por muitos lugares alias, talvez, apenas procurando alguém para me aninhar no colo e me chamar de pequena, me mimar. Estou manhosa hoje Lucas. Tens a certeza de que escrevestes sem porquê? Todos temos um propósito, adoraria conhecer o seu. Fiquei muito feliz com sua observação, me denomino uma admiradora da lua, obrigada por reparar. Acreditas em vidas passadas? Suas palavras aqueceram meu coração, sinto uma ligação entre nós, estarei enganada novamente? Sua alma está cansada não é? Sabe Lucas, me perdi no tempo, não irei me apresentar, deixarei que trabalhe a imaginação e me chame como quiser. Tens muitos medos e angustias para compartilhar? Suas palavras me trazem dúvidas.. Lhe escrevo com o clec clec da chuva em minha janela, ela me trás você, lhe escrevo com o coração, ele sai de mim e corre por esse papel como minhas letras. Gostaria de saber quem é você. Porque recordaste sobre a infância? O que lhe aconteceu? Choras muito com essas lembranças distantes, imaginei desde o inicio, apenas almas chorantes se comparam com a linda chuva. Gostaria de me contar sobre essas lembranças? Estou curiosa. Sua história está me deixando curiosa.. Poderei curiar sua vida? Acredite, não estais sozinho já que tem a lua como melhor amiga. Me conte, porque alguém tão sofrido se apaixonou pela tristeza? Me encantei com o seu poder, a sua força.. O encantamento pelo seu sofrimento foi uma consequência de ambos. Admiro-lhe pelo seu lindo mar de angustias que carregas em seu peito. Posso lhe pedir algo? Seja egoísta, escreva com alma e emoção apenas a quem achas que merece. Lhe respondi pois como mesmo disse, temos as mesmas dúvidas, os mesmos medos, talvez quem sabe, os mesmos objetivos. Lucas, a lua também ilumina sua escuridão? Não tenho medo da escuridão, me encontro nela, e mesmo que algum dia eu perca a lua, essa que me ilumina, espero já ter encontrado alguém que me tire do meu encontro e faça o papel dela. Mas se não encontrar.. Não irei temer em continuar na escuridão, dizem que não se teme ao conhecido. Adoraria continuar nossa conversa, me escreva mais. 
- Lucas? Está me ouvindo? Me encontrei com as suas lágrimas.. 


Sorrisos distintos,
de uma flutuante sem nome.

Olá menino da praia,


Encontrei sua garrafa por acaso, não que eu ande olhando para o chão procurando por algo assim, mas encontrei sem querer, ela estava em um lugar especial. À abri e li as cartas dentro dela, me desculpe por isso. Deduzo que seja um garoto, suas letras tem formas grandes, suas palavras são precisas, não existe tanta delicadeza em seus parágrafos, mas são encantadores, se for uma menina, me desculpe novamente.
Em uma das cartas você diz que espera que alguém as leia e responda-as. Estou tentando fazer isso. Bem sei que eu não sou o destinatário desconhecido, afinal, nem sei quem é você. Mas, gostaria de lhe falar algumas coisas. Sabe, me encantou perdidamente em saber o amor que tens com as coisas simples, a lua, a chuva, a tristeza, a escuridão.. Temos gostos muito comuns, curiosidades parecidas, gostaria que respondesse minhas cartas, gostaria de trocar pensamentos com alguém distante, trocar opiniões sem trocar olhares. Você tem palavras maduras, mas parece ser tão jovem, sua alma não é mais jovem certo? O sofrimento nos envelhece, eu sei. Seus sentimentos escritos com esse peso nas palavras, são encaixes perfeitos de um coração sem peças. Escrevo-lhe olhando a lua, linda ela, não é mesmo? Espero que leia sob a luz do luar, assim sentirá o mesmo que eu. Em algumas das cartas, fizestes inúmeras comparações da chuva com a sua alma, estais chorando tanto assim? Que coincidência, começou a chover, sua mente esta cansada? Está chovendo muitas coisas, talvez, você devesse entender o porquê de chorar tanto, e não pensar no motivo da chuva, ela chora todos os dias em algum lugar e é admirada por vários, mas e você? Porque choras? Me perdi lendo sua escrita, deixando meus olhos transbordarem quando li sobre o mar. O mar me trás muitas lembranças. Nunca imaginei que alguém tão triste, admiraria a tristeza como você. Posso lhe fazer uma pergunta? Tens medo da escuridão? 
Eu particularmente perdi o medo desde que achei a lua, seu brilho ilumina qualquer escuridão, inclusive a escuridão da mente. Já reparou? Tenho uma paixão um tanto quanto secreta pela lua. Acho a escuridão uma coisa tão viva, só quem está vivo consegue ver o escuro, consegue sentir dor, ficar triste, e a lua prova isso. Gostaria de entender o porque dessa garrafa, escreve á um alguém distante? Em um tempo distinto? Espero que suas palavras voem com a briza, e cheguem aos ouvidos de quem deseja. Queria saber, poderei continuar lhe escrevendo? Adoraria voar com as letras e mergulhar no mar junto com sua garrafa. 
- Ei, está me escutando? Jogarei palavras ao vento em sua direção.. 

Palavras curiosas,
de uma curiosa distinta.